OUVINDO VOZES!

16/03/2016 10:25

OUVINDO VOZES!

Suely Pavan Zanella

Não pense você que só os psicóticos ouvem vozes. A diferença entre eles, e nós os “normais”, é que os psicóticos têm alucinações auditivas, algo muito semelhante à realidade, e nós ouvimos vozes internas.

Às vezes estas vozes são perturbadoras, e em outras são sinais de alerta.

O pior de tudo é não perceber que estas vozes existem.

Quantas vezes você estava participando de um projeto muito interessante no trabalho, e, de repente se desanima. Você sente o desanimo, mas não consegue detectar o motivo.

Você conhece alguém muito bacana, e tem esperança de que seja um bom relacionamento. Mas, de repente você dá para trás, e arruma para si mesmo uma série de justificativas.

Chegou o dia de você comprar aquele carro ou casa que tanto sonhava. Mas, no meio do caminho você simplesmente desiste. Seus amigos perguntam: Mas, o que aconteceu? E você racionaliza dizendo: Achei melhor deixar passar esta crise, antes de entrar em uma dívida grande como esta.

Como hoje em dia a maioria das pessoas usa muito bem de racionalizações, mas pouco da percepção daquilo que de fato sente, é comum, embora nocivo não ouvir as vozes internas.

Estas vozes nada mais são do que autoboicotadores, aqueles mecanismos usados para não usufruirmos do prazer que algo pode nos trazer.

Se, ao contrário, tomamos contato com estas vozes internas elas podem nos dar grandes pistas com relação ao nosso modo de agir e pensar. Por exemplo:

Há alguns anos eu ministrava um trabalho direcionado para mulheres em uma empresa. O foco eram os processos de mudança. E sabemos que as mulheres são especialistas neste tema, afinal, durante a vida elas sofrem enormes mudanças em relação ao seu corpo: menstruação, ovulação,gravidez e menopausa. Mas, mesmo assim, nem sempre elas conseguem conectar estas mudanças tão comuns às mudanças empresariais. E quando fomos trabalhar o que as impedia de processar na prática estas mudanças, o tema que surgiu foram exatamente as vozes internas. Como eu trabalho com Psicodrama e em tese nunca sei exatamente quais serão as demandas do grupo e/ou suas necessidades reais (não aquelas que são faladas pelos clientes que compram o trabalho), o que surgiram foram as vozes internas impeditivas nos processos de mudança. Este foi o tema do grupo, como dizemos no método psicodramático. Através de cenas dramatizadas com as técnicas do Psicodrama as participantes puderam de fato lidar com estas vozes impeditivas ou autoboicotadoras. E, elas ficaram maravilhadas, lembro bem disso, de poder lidar em alto e bom som, com aquilo que as impedia de mudar. E mudar é dar a permissão interna de seguir em frente sem garantias.  

Se o trabalho seguisse outro método acredito que elas não teriam conseguido perceber que os mecanismos impeditivos se chamavam vozes internas. Mas, como tomaram contato concreto com estas vozes foram capazes de agir de modo diferente.

A grande sacada é sempre tomar contato com os nossos sentimentos, e o que estas vozes dizem dentro de nós. E, principalmente com as mudanças bruscas de comportamento. A pessoa estava super contente e logo depois se desanima. O que aconteceu neste meio tempo? Às vezes há motivos reais, a vida não é linear, e em outras é apenas a repetição de um comportamento passado que nem sempre sabemos existir. Esta é a diferença principal entre ansiedade e criatividade. O ansioso repete respostas, o criativo lê a situação atual e se conecta SEMPRE com aquilo que sente.  

Há também as vozes internas de alertas, que são chamadas de intuição. A intuição nada tem de mística ou esotérica. Ao contrário, ela tem a ver com nossas vivencias e experiências. Não é à toa que na literatura as bruxas (seres intuitivos) são retratadas sempre como mulheres velhas e feias.

Quanto mais experiência se vive, mais se acumula sabedoria. É como se nosso corpo recebesse um sinal de alerta. Note que a intuição verdadeira, que muitas vezes é confundida com medo, aparece na forma de um rápido flash ou uma sensação normalmente na região do estômago. Seres intuitivos não são ansiosos e muito menos buscam explicações para tudo. Também não dão justificativas evasivas do tipo: Sou assim porque sou de Áries!

Normalmente são centrados e mais quietos. Mudam, por exemplo, um caminho, apenas seguindo a intuição, isso não os perturba.

E, muito importante: Raramente falam que são intuitivos. Não precisam deste tipo de fantasia egóica. São o que são. Como já viveram muito, e isso nada tem a ver com a idade cronológica, não necessitam desta afirmação de que são isso ou aquilo por parte dos outros.

A conexão com a voz interna da intuição pode nos livrar de perigos e trafegar por caminhos não planejados, e até que nunca imaginaríamos passar. Os seres intuitivos são uma espécie de seres flutuantes pela vida e por esta razão são avessos a esquemas de planejamento rígidos em que nem a intuição e muito menos a criatividade possam estar presentes. Eles têm uma espécie de confiança na vida e uma crença inabalável nos demais seres humanos.  As vozes de dentro nunca se poluem com as vozes de fora. 

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