A SÍNDROME DA “MULHER MINHA”

12/01/2017 14:47

A SÍNDROME DA “MULHER MINHA”

Suely Pavan Zanella(*)

Quase que diariamente me deparo com a seguinte manchete: Inconformado com o fim do relacionamento XXXX matou a ex-namorada/esposa!

As manchetes dão a entender que gente inconformada pode fazer qualquer coisa. O mesmo aconteceu com a chacina praticada por um homem em Campinas, que matou 12 pessoas, incluindo o seu próprio filho e sua ex-esposa. A justificativa que muita gente deu foi a seguinte: Ele estava inconformado que a guarda do filho pertencesse a ex-esposa e mãe do menino.

Parece até que o inconformismo justifica atos insanos. E nós, não deveríamos em hipótese alguma nos conformar com isso. Ao contrário, deveríamos nos indignar e pedir/exigir que pessoas assim fizessem tratamentos psicológicos ou psiquiátricos. Aliás, nos processos de separação ou de guarda, se um Juiz percebesse algo de inconformismo deveria mandar o inconformado para a psicoterapia em caráter urgente. Seria o mínimo do bom senso.

A ruptura de um processo amoroso é difícil e dolorida, por um tempo carregamos o ser amado dentro de nós, e isto causa tristeza e saudade. Agora, o inconformismo está ligado a outro fenômeno que eu chamei de Síndrome da “Mulher Minha”. Óbvio que esta síndrome não existe em nenhum manual de medicina. Só a inventei para tornar este texto mais didático.

Porém, a frase “mulher minha”, determina posse e não amor. Por favor, também não confunda com ciúme normal. A palavra ciúme significa zelo, cuidado. E tanto zelamos pelo nosso carro, como pelos relacionamentos afetivos. Nada a ver, portanto, com o ciúme patológico, que é uma espécie de delírio. A síndrome da “mulher minha” tem outras características marcantes e que são expressas desde o começo do relacionamento, e que, infelizmente, muitas mulheres confundem com ciúme, e outras até provocam o parceiro para incentivar este comportamento, e assim se sentirem valorizadas como mulher.

Muitas mulheres sentem-se seguras e até cuidadas quando têm ao seu lado parceiros que as tratam como propriedade.

Se alguém, por exemplo, olhar para elas na rua, ao invés de ficar apenas ao lado da mulher e marcar presença, e até ficar feliz de ter uma parceira olhável o que este tipo de homem faz: Ou ele arruma uma briga com o homem que olha a mulher, ou arruma uma briga com a namorada ou esposa. Ele quase que a culpa por ser bonita ou chamativa.

É muito comum também que este tipo de homem escolha quase a dedo parceiras que chamem muita atenção. É a moça bonita que usa saias curtas, ou tem um jeito sensual de andar ou falar. Ele inconformado com a exuberância da moça o que faz?

No começo do relacionamento aceita tudo, embora por dentro engula a seco, mas com o tempo começa a implicar com as roupas, por exemplo. Primeiro o faz de forma educada: Amor, você não acha esta roupa muito curta para irmos à casa de minha mãe?

Depois ataca dizendo: “Mulher minha” não usa roupas assim!

Até que um dia a moça para não perder o “seu homem” (sim, muitas delas também falam assim) começa a encompridar as saias, a não usar mais batom ou esmalte vermelho, a usar decotes discretos... Enfim, se torna outra pessoa. E aí o homem tem a certeza que a mulher é dele mesmo, isto é,  sua propriedade.

Às vezes a síndrome da “mulher minha” não se manifesta apenas através do jeito de se vestir ou expressar da mulher, mas por sua escolaridade ou carreira. Nestes casos ele tenta rebaixá-la ou desqualificá-la, e muitas vezes ela para não perdê-lo acaba por complementar negativamente este comportamento. Ela não quer humilhá-lo e começa a “fingir-se de burra” ou decair no desempenho profissional. Afinal “mulher minha” não pode ser mais que eu, pensam estes homens, sem claro, admitir.

Ao ver a mulher totalmente enquadrada no padrão “mulher minha” o que estes homens fazem? Começam a buscar nas ruas, trabalho e cursos mulheres que se enquadrem aos seus padrões iniciais: mulheres chamativas, exuberantes e/ou inteligentes.   

Levam para a casa onde está a “mulher minha” o pior de si, e não raro são agressivos para com ela.

Esta mulher cansada de ser humilhada e até traída o que faz? Busca o divórcio ou a separação nos casos de namoro.

E aí, ele inconformado, agride a mulher e pode matá-la. Afinal, é preciso aniquilar de uma vez esta mulher que se nega por alguma razão a ser “mulher minha”, como se fosse um sofá na sala. Para ela normalmente sobram ofensas, violência psicológica, tapas e até a morte.  

Outros não chegam a matar a sua ex-companheira, mas usam de uma tática comum aos praticantes da violência psicológica, que é o isolamento. Isolam a mulher das amigas e da família, e também fazem críticas atrozes e quase sempre injustificadas contra essas pessoas. Ele aniquila pouco a pouco a autoestima desta mulher. E também não as deixam ir a nenhum lugar sozinhas. Afinal, “mulher minha” não sai desacompanhada!

Alguns chegam ao absurdo de humilhar as mulheres em locais públicos. Cansei de ver cenas assim em restaurantes, shoppings e supermercados. E também já vi mulher ser estapeada dentro do carro.

Homens inconformados com o fim do relacionamento também se tornam perseguidores. Seguem a mulher para os locais em que ela frequenta. Fazem promessas de melhoria, ameaçam suicídio e por fim fazem escândalos.   

O amor, que não é amor, pois todo amor é Eros, é construção, e não Tânatos (destruição) faz com que vítimas de homens assim, por medo, fiquem eternamente com eles. Elas perderam a identidade, não sabem mais quem são. Sua essência foi roubada não de uma vez, mas aos poucos. Todos sabem que mudanças gradativas nem sempre são percebidas.

Homens assim ao se depararem com a perda de suas companheiras não sentem a dor do luto, mas a raiva e o desejo de vingança. Sofrem de baixíssima tolerância à frustração.

O âmago do machismo está neste comportamento de posse, de competição com outros homens. Afinal, “mulher minha” é só minha, e mesmo que eu seja um péssimo marido ou namorado ela tem que me aguentar. Assim pensam estes homens sem hombridade alguma.

As mulheres têm que ficar atentas a estes comportamentos e não se iludirem com homens extremamente possessivos. E aos homens, cabe  aceitar o fato de que apenas bons homens são aceitos pelas boas mulheres. Quando eu estudei Cabala há alguns anos, aprendi que os homens devem agradecer à mulher que aceitou casar-se com ele. Devem fazer isso diariamente. Segundo os cabalistas a mulher é mais próxima de Deus do que o homem, então ser aceito por uma ela é uma dádiva a ser agradecida.  Claro, que você não precisa acreditar nisso, mas deveria apenas pensar que posse não é amor, é só controle. E casais funcionam bem quando ambas as partes se tratam bem e fazem o possível para o relacionamento dar certo. Não cabe apenas à mulher se virar em mil para preservar um relacionamento. Isso é tarefa diária e incessante de ambos.  E amor, insisto, nada tem a ver com posse.

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